Areforma administrativa anunciada pela presidente Dilma Rousseff significa, no jargão popular: ceder os anéis para preservar os dedos.
O destaque não foi reduzir de 39 para 31 ministérios – insuficiente para reduzir o maiúsculo déficit público – mas aumentar a cota dos aliados, principalmente a do partido do vice-presidente, de seis para sete, e reduzir a do PT de 13 para nove, com o objetivo de recompor sua base política no Congresso Nacional.
Sem tal base, a presidente não aprovará o ajuste fiscal, não freará a pauta-bomba, que agrava o déficit público, e se manterá frágil diante da possibilidade de um impeachment. Como se tornou difícil, pelo menos por enquanto, comprar apoios políticos por meio de bilionárias cifras públicas, como no mensalão, petrolão e elotrolão, entregam-se ministérios para aliados. (Imagine se não fossem aliados).
Então, a chamada reforma administrativa constituiu-se, na verdade, em mensalão, petrolão e eletrolão juntos. O agravante é que não foi feita às escondidas e com a expectativa que jamais seriam descobertos, mas em cerimônia oficial e pública.
É o costumeiro e imoral loteamento da administração pública, com a entrega de ministérios e outras funções para pessoas despreparadas e o início da corrupção, que drena recursos do povo para campanhas eleitorais. A inflação está corroendo os salários! O desemprego continua castigando os mais pobres! O dólar está nas alturas! O país perdeu o grau de investimento com desdobramentos trágicos para os brasileiros!
A produção industrial caiu 9%, em agosto, em relação ao ano passado! Nada disso interessa. O que interessa é o naco de poder e dinheiro que cada um vai receber. No caso, ministérios com maior orçamento, como a da saúde.
A presidente está cada vez mais para rainha da Inglaterra. Reina, mas não governa. As instituições financeiras já o faziam em grande parte e, com a dita reforma, o ex- presidente Lula e os “aliados” no Congresso Nacional fazem o resto.
Parte dos representantes do povo no Poder Legislativo trocou as funções constitucionais de legislar e fiscalizar pela chantagem e pelo privilégio em benefício próprio.
Não votou as grandes reformas de que o Brasil precisa (eleitoral, previdenciária, tributária, pacto federativo, etc.) e, frequentemente, é acusado de utilizar dinheiro público para encher os próprios bolsos, cofres ou contas no exterior.
Mas a solução não está em abdicar da prerrogativa, duramente conquistada, de escolhê-los por meio do voto direto e secreto, mas sim, em escolhê-los com foco no bem coletivo e acompanhá-los por meio dos tantos instrumentos garantidos pela lei.

